Quando estiveres a escrever a história da tua vida, não deixes que ninguém pegue na caneta por ti (...)

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sexta-feira, 4 de julho de 2014

112 batimentos por minuto.

"Passam 53 minutos das 19 horas. Frequência cardíaca 112 bpm. Pulso amplo e um pouco irregular. Não se julgue nenhuma arritmia, essa se existir não é, de todo, cardíaca. Todo este sentido, envolto nesta questão que lhe baralha completamente o sistema. E toda ela está a palpitar. Foi neste preciso segundo: ela deixou de acreditar no que, outrora, passou. Permanece no entanto, impávida e serena, exteriormente. Neste momento deixou de perguntar porquê. Deixou de pensar no meio vazio. Esqueceu as vielas e calçadas. Ainda os asfaltos e a terra batida. Esqueceu as noites, os dias e as tardes. E permanece acordada. Aliás, agora sim, acordou! Ela sabe que pode ser muito mais, porque ela deixou de se levar pela maré. Assumiu um rumo. Hoje. Agora! Esqueceu a velocidade. Decidiu a direção. Hoje nasceu uma nova, Ela! Está disposta a ser." 

in "Ciente de tudo isso", por Ana Macedo