Quando estiveres a escrever a história da tua vida, não deixes que ninguém pegue na caneta por ti (...)

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domingo, 6 de julho de 2014

130/85 milímetros de mercúrio.

"Faltam cerca de 10 minutos para as 23 horas. Ela ainda não tem a cama feita. O seu pensamento ainda não está ali, está longínquo. Mas não, não e não! Não a julguem desnorteada. Ela está orientada em relação a si, ao tempo e espaço. Apenas se sentem um pouco tonta. Mas a TA está a 130/85 mmHg. Daí ignorou. Sabe a outra razão que está por de trás disso. Ela quer saber, melhor que ninguém, que a sua promessa foi uma escritura. E teve testemunhas. Ela deixou de pensar nas oportunidades perdidas. Ela não quer saber delas. Tem o calendário assinalado até 26 de junho. Tem dias em atraso, contudo não é isso que a faz perder a noção do tempo. Muito menos ficar tonta. Olha à sua volta, vê todos os sorrisos que sempre a vão contagiar. E neste momento, não sente falta de nenhum rosto preenchido com um sublime sorriso, típico, que até então, para ela, estava em falta naquele sítio. Afinal, a escolha dela estar ali, também tinha dependido do dono desse tal, sublime sorriso. Ela relembrou a promessa, sorriu, e para si, disse baixinho: 'o passado passou!'."

in "Ciente de tudo isso" por Ana Macedo


1 comentário:

Andreia Morais disse...

Muito bom!
De facto, quando o passado passa não é benéfico voltar atrás, ou perdermo-nos em pensamentos que nos prendam a esse pedaço de história