Há dias que são os primeiros que tu vais ver, na altura de ano novo,
em que dia da semana vão calhar. Há dias que são os que tu sentes que não
consegues dormir antes de começarem, portanto, a meia-noite fica ali a apontar
ao coração. Há dias que és incapaz de esquecer, passe o tempo que passar, mesmo
sem lembretes, sejam eles quais forem, oriundos de onde quiserem. Porquê?
Porque são os dias que te inquietam. Que te obrigam. Que mexem muito
contigo. Que te pressionam. Que te deixam instável. Dias que tens vontade de
recomeçar. De correr. De abrir o peito às balas, expressão que tanto usas. Dias
de não ter medo do amor. Não ter medo de acreditar. Não ter medo da
taquicardia. Das borboletas na barriga. Das formigas no estomago. E de todo o
jardim zoológico que esses dias são capazes de palpitar em ti.
Há dias que te marcam. Porque sim.
Há dias que queria dizer-te mais do que qualquer dia te (achei)
conseguir dizer. Há dias que são, inevitável e imprescindivelmente, nossos,
mesmo que tudo que te liga a esses dias, se tenha desmoronado.
Há dias, que tu vais sempre ter um pensamento a dizer-te, hoje é dia.
Há dias que são. Que são quase desde sempre. E que vão ser sempre.
Hoje… Passados onze anos de ter conhecido o dia 9 de outubro, consigo
falar de outra forma.
Consigo falar de forma consciente. De forma leve.
Sem dizer “gostava que…”.
Consigo falar com o coração mais calmo e a mente mais tranquila.
Na verdade, hoje é dia 9 de outubro. Já passa da meia-noite… mas
também já te disse: “É imprescindível. Só: parabéns!”.
Continua, de forma tão leve como clara, a ser imprescindível para mim.
Um dia destes ouvi falar em dar um resignificado às coisas.
Estou a escrever com um sentimento de resignificado. O valor do
resignificado é facto de não termos de
esquecer… pelo contrário. Continua vivo, passou. Mas aconteceu. Fez parte.
Acho que só agora consegui perceber isso… Sei que me afoguei em
significados porque nunca me disseram… “passou”. Sempre me disseram “esquece”.
Sempre quiseram que eu não visse aquilo que eu vivi. É tao diferente passar, de
ter esquecido. É tão diferente ver, de viver.
Em qualquer coraçãozinho, mesmo no mais pequenino, há marcas que ficam
sempre. Como aquela história que o papel amachucado, vai sempre ficar com
alguma engelha.
Não posso esquecer. Deu-me parte do que sou hoje. Cresceu comigo e
fez-me crescer.
Fez-me ver o quanto os sentimentos podem enaltecer aquilo que por
vezes nada é… mas vai-se a ver e é tudo.
Hoje, mais do que dar os parabéns, sinto o quão as coisas podem mudar
quando as aceitas.
É inevitável falar em saudades. Mesmo que sem sentido. Mesmo que muito
questionadas. Como me podem dizer que não posso ter saudades do que não passou
de nada? Mas afinal, quem viveu? A cada um, o que é seu.
Viver uma coisa, ter uma coisa, saber uma coisa, não quer dizer que
ela tenha de ser material. Não foste o meu troféu em exposição. Nunca quis que
o fosses. Mesmo que tudo tivesse sido diferente, esse sempre foi o meu maior
medo. O que mais me custou, neste tempo todo, foi terem-te usado como isso
mesmo… troféu de prateleira. De exposição. De parecer para ser. Que feliz que
sou… Por saber que isso não aconteceu connosco. E que ninguém se atreva a
atirar à sorte ou adivinhar a forma de tudo isto ter sido vivido.
Pertenceste-me no momento que me mostraste o expoente máximo de amar.
Posso conhecer outrora, alguma forma diferente de o fazer, não digo que possa
ser mais bonita e racional… Mas não será certamente igual.
Crescemos. E isso implica perguntar duas vezes à razão como podemos
conduzir as coisas. No entanto nada nos impediu de viver com o coração. Aqueles
que só entre eles souberam comunicar, sempre com palavras muito maiores do que
aquelas que conseguimos proferir um ao outro.
Alonguei-me. Alongo-me sempre que revejo todos os minutos e segundos
que lutei por o nosso amor. Sempre que revivo estes 10 anos, que fracionados,
nos deram os momentos mais inesquecíveis de sempre.
E por mais que diga que crescemos… É impossível não ser a eterna
menina a falar sobre este assunto.
Parabéns. Obrigada! Têm sido palavras de ordem desde aí, neste dia.
Hoje acho que consigo dizer-te o obrigada mais sincero. Mas também
hoje foi o dia que não to disse. Porque tão bem como eu, tu sabe-o. Mesmo negando.
Mesmo desacreditando. Eu sei que sabes, porque sei que o sentes. E porque sei
que há memórias, aquelas em que não fomos nós a falar, que ficam gravadas para
todo o sempre.
Para ti, apenas o melhor do mundo!
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