Fui assistir à peça de teatro do grupo de teatro do qual fiz parte, até precisamente esta peça, quando tive de abandonar por motivos académicos. Uma adaptação de Romeu & Julieta de Shakespeare.
Estava imensamente orgulhosa, ao mesmo tempo que tremia por todo o lado e me sentia a pessoa mais estranha de sempre. E de facto estava a sê-lo. Sim, fora a primeira vez que vi uma peça. Nós, que somos atores e atrizes, nunca vemos a peça. Apenas imaginamos o conjunto de encenações que fazemos. Nós nunca assistimos à peça. Nós, pura e simplesmente, fazemos a peça. E hoje era diferente. Não era eu como atriz, era eu como público, como plateia. E não estava ali para representar, estava ali para sentir, ver, observar e claramente aplaudir.
Até que... Eu, que tive acesso ao texto, tive oportunidade de assistir a ensaios, mas que sempre me recusei a ver isso tudo, porque não queria ser dura comigo a esse ponto, preferi ficar deste lado. E tudo em mim era um misto de curiosidade.
Começou a peça.
Logo nos inícios, ouço um frase, de uma personagem, com a que, talvez, mais me tenha identificado enquanto outras personagens que fizera... (Fiz-me entender? Aquela personagem era a mais parecida a uma personagem que eu outrora fizera e que foi a que mais gozo meu deu até então...)
Aquela frase ficou a repetir-se numa voz off dentro da minha cabeça.
"Sim, é prudente amar com moderação, minha pequena. Quanto mais devagar, mais o amor dura."
Agora já começam a associar as coisas, correto? Sim a verdadeira apaixonada incurável.
Pensem, pensem como eu sobre isto. Eu depois de tudo, depois de anos, necessitei deste click. Logo nesta peça de teatro, à qual tanto significado atribui, e tanto me marcou.
Eu pensei. Eu refleti. Eu descobri. Descobri que amei com tudo, menos com moderação.

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