Mais uma vez. Será a última?
Creio encontrar-me perdida, no meio do tudo que isto é. A imensidão desta coisa reduzida a uma, ainda maior, insignificância, do lado reverso da moeda.
Sinceramente não sei como caí, e como cada vez me enterrei mais. Não sei como nem porquê. Sei quando. Ou sei, a partir de quando, a partir daquela altura... A partir daí foi sempre a disparar. Sabes que mais? Foram cinco anos e cinco meses que, até hoje, me deram muitas dores de cabeça mas muitos sorrisos, muitas borboletas no estômago e muitas pernas dormentes. Muitos beijos acariciados e olhares de quem quer fugir rápido dali, ou então, esconder-se porque está envergonhada de gostar tanto assim de alguém, ou então porque quer ficar ali, assim e sempre. Enrolada naquele peito e abraçada por aquelas mãos.
Mas acabou. Sim, acabou do verbo acabar. Foi esse que conjuguei. Por muito que não queira, ou por querer muito. Sei lá eu. Todos esses trocadilhos me fazem cada vez mais sentido ao mesmo tempo que cada vez me baralham mais.
Sabes, no fundo, um pouco dela acredita, o coração dela diz que sim. Veremos se é 2014, o ano que ela tanto deseja. Da magia! Quer-se dizer, no fundo um pouco dela acreditava... Passado.
Sabes... Gostava que fôssemos dois velhos adolescentes, ficas já a saber, gostava de acordar todos os dias ao teu lado e olhar-te durante longos minutos só para saber que estavas e respiravas, ao meu lado como sempre ao meu lado, de seguida íamos encostar as peles acabadas uma na outra, eu ia beijar-te levemente, sentir que os teus lábios ainda existem, dizer-te o amo-te mais profundo que alguém pode dizer, e adormecer de novo pela manhã dentro, os corpos dobrados pelo tempo e pela vontade de procurar o outro para aguentar, à tarde iríamos passear, descobrir o que a cidade tem de novo para nos mostrar, falar com as pessoas que nos amam, os filhos, os netos, provavelmente até bisnetos, perceber que todos os dias somos jovens da nossa existência, e finalmente regressar a casa, há palavra mais bonita do que essa?, a nossa casa, o jantar que faríamos a dois, eu a descascar as batatas e as cenouras, a cozinhar o arroz como tu gostas e como eu aprendi a fazer só porque tu gostas, tu a dares o tempero que só tu sabes dar, podíamos até jantar à luz das velas, dois velhinhos apaixonados e um jantar romântico, haveria depois o sofá, um filme de jovens belos que se amam, só para nos podermos imaginar outra vez como quando nos conhecemos, a vida toda pela frente, e enfim a cama, eu e tu e a nossa vida toda debaixo dos lençóis, eu a aconchegar-te o cobertor junto ao pescoço, os nossos pés frios a aquecerem-se juntinhos, e se a morte chegar que seja aí, quando estou contigo e penso que valeu a pena andar tantos anos a construir um momento assim.
Sabes? Sei que nada disso é possível. Agora foi infindável. Acabar no seu mais ínfimo sentido. Pôr fim a. Dar cabo de. Chegar ao cabo de. Terminar. Fazer envelhecer. Mau, mau é não envelhecermos juntos como diz aí ao cimo.
Achei-te demasiado sensato enquanto tínhamos esta última conversa. A dar-me a oportunidade de falar. Atirando-me com uma capacidade de lidar com a situação fora do normal, vindo de ti. Um sapiência e indiferença que não fazia parte de nós, das nossas brigas e do nosso amor. Depois percebi... Que hoje seria a última. Esta é a última vez que falo enquanto ainda existe um nós. É a última vez que escrevo enquanto existe um nós. Porque hoje finda esse nós. Esse tu e eu. Porque tudo, tudo tem um fim. Um fim, de novo, sobre ti.
"Tudo tem um fim...! Espero ver-te feliz, com uma vida feita e Francisquinhos pequenos a rodear-te e a chamar-te pai, para isso basta teres alguém de quem gostes e que te adore um terço do quanto eu te adoro. Parabéns pelo que és para mim! Creio que um dia te vás lembrar disso... Sei que também aprendeste comigo, mais do que imaginas e do que agora consegues alcançar. Só o tempo te vai dar tudo o que de mim guardaste. Por mais que neste momento acredites que não tenha sido nada. Um beijo, na testa, é símbolo do respeito que tenho por ti, e vou ter sempre. Por mais que tenhas perdido tantas vezes a cabeça e tenhas dito tanta coisa sem pensar."
A melhor forma de terminar, não é só com este beijo imaginário que te enviei com o intuito que sentisses o toque dos meus lábios ao tocar-te na testa. A melhor forma de terminar é dizendo-te que este foi um dos momentos em que escrevi sufocada e fiquei sem folêgo. E com isto, acrescentar que, a vida não é medida pelo número de vezes que respiramos, mas pelos lugares e momentos capazes de nos tirar o folêgo.
Ainda hoje relembro todos esses momentos e lugares, pois estão guardados no sítio mais secreto, abrigado e protegido que podiam estar.
Hoje, foi, de novo, sobre ti!
4 comentários:
Tu escreveste ofegante, mas nós somos dominados por estas palavras... do princípio ao fim. Soubeste articulá-las de forma tão perfeita que me conquistaste.
É triste, o fim é sempre triste. Mas a forma como o retratas, a maneira como falas em "sermos velhinhos"... está absolutamente fantástica!
Parabéns!
O pior dos cenários em colocar um fim é muitas vezes a repetição desse acto vezes e vezes sem conta, até nos perdermos nos recomeços e nas despedidas. Se realmente procuras um "fim do fim", apenas tenho a elogiar-te a perseverança disfarçada na mágoa das tuas palavras por, mias uma vez, desejares esse fim por nao poderes desejar um recomeço. Mas só consegue isso, quem é detentor de grande carácter! Bem-haja!
Tenho um pequeno desafio para ti no meu blogue :)
A forma como escreveste este texto é envolvente. Doí quando chega ao fim, deixa ferida, mas a forma como descreveste não deixa ninguém indiferente!
Só agora reparei que me segues, desculpa não ter passado aqui antes. Foi falha minha. Estou a seguir :)
Beijinhos*
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