Quando estiveres a escrever a história da tua vida, não deixes que ninguém pegue na caneta por ti (...)

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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Sete meses menos um dia

No dia 5 de janeiro eu escrevia aqui... Sobre ele. 
E hoje, de novo, tenho motivos para escrever. Depois do dia 4 de janeiro, as coisas nunca mais foram as mesmas. Falamos mal chegou a Itália, e o tempo passou até termos discutido e não ter dito mais nada. Pura e simplesmente deixou de responder, de falar, de dar sinal de vida. Sei que estava noutro país, mesmo assim sei que se quisesse podia manter o contacto. Eu sou completamente perdida por ele, cada vez tenho os pés mais assentes na terra e acredito no quão isso é verdade. Mesmo que seja difícil de compreender para grande parte das pessoas que, não só me conhecem e rodeiam, como o conhecem e rodeiam a ele também. 
Não vou dizer que ignorei, que deixei de insistir muito menos que desisti ou esqueci. Algo me leva insistente e persistentemente para ele e até ele. Entretanto ia sabendo como estava, quando voltava, diga-se de passagem que todos que nos conhecem sabem que eu tenho estas informações. Aliás ele sabe isso melhor que todos os outros. 
Até que se passaram precisamente sete meses menos um dia. Eis que chega o motivo pelo qual, de novo estou a escrever. No dia 5 de agosto ás 0:33h eu voltei a enviar-lhe uma mensagem: "Acusaste-me de ser fácil, se fosse hoje aproveitaria ainda mais e teria aceite todas as oportunidades que me ofereceste.". Fiquei por aqui. Passado um minuto achei que ainda não estava tudo dito e acrescentei num novo sms, "E sinceramente, é uma treta não enfrentares nem dizeres nada!"
Não tardou em responder, coisa que não estava nada à espera.
[Aliás, de todas as vezes que tinha tentado até então, nos tais sete meses menos um dia, aquela mensagem enviada que mais me deixou à espera de uma resposta (por mais seca que fosse, não acreditaria que com aquele feitiozinho dele, que já conheço de ginjeira, fosse deixar-me ficar sem resposta, mesmo que para isso tivesse de dar o braço a torcer) foi quando lhe disse "Cada vez mais acredito que entendi tudo errado. A ti, um obrigada (deveras irónico por sinal) por teres definido a ignorância como a melhor forma de prosseguir e por assumires a postura de que, não responder será a melhor resposta!". E qual o porquê de estar mesmo à espera duma resposta? Porque atingi-o em muita coisa que sei que o afeta e eventualmente o poderia magoar. Mas isto foi um à parte!]
Retomando...
F. (0:35h): Queres que te diga o quê? Queres vir ter comigo é?
Deixou-me a pensar, muito pouco mas deixou. O que eu queria ouvir da tua boca? Sabia de cor e salteado, queria ouvir que podíamos tentar (de novo). Depois, a segunda questão, mas como é que eu ia responder? Óbvio que queria ir ter com ele. Mas não era suposto ter acabado tudo, estar tudo mais que enterrado? Mas continuei, e respondi fria e diretamente.
A.: Eu não posso ir ter com quem não quer que eu vá, não é?
F.: Podes vir agora?
O quê? Que golpe baixo foi este às 0:37h? 

(continua...)

Prometi que continuava, e continua. Esta conversa continuou. Ele sabia perfeitamente que eu não conseguiria sair de casa aquelas horas e ir ter com ele. Sabia-o ainda melhor que eu. Mas decidiu dar a sua de difícil. 
Questionei-o acerca do porquê dele ter deixado de falar, do porquê de não atender, de não responder, de não dizer nada durante tanto tempo. Qual não é o meu espanto quando recebo a resposta:
F.: Porque sim!
Ficaram esclarecidos, correto? Eu também, bastante. Mas não me deixei ficar calada. Aliás, e num novo à parte aproveito para vos dizer que, acredito mesmo que esta relação (se é que assim lhe podemos chamar) é em muito prejudicada por sermos os dois teimosos e nenhum ter tento na língua quando devia. 
Continuamos a disparatar até que decidi cortar um pouco a corda e perguntei porque não vinha ter comigo. Afirmou ele que era sempre ele e já tinha vindo vezes suficientes ter comigo. A verdade é que, nestes cinco anos (feitos no dia quinze de agosto do presente mês) foi sempre ele que veio ter comigo onde eu estava, ou então, foi sempre ele que me veio buscar. 
Depois de ter dito isto perguntei-lhe em forma de afirmação, ou vice-versa se não sabia que eu não tinha hipótese de ir ter com ele.
Insistiu e não desistindo da ideia disse:
F.: Sabes onde eu moro. Se quiseres vens ter comigo.
Eu num tom deveras irónico disse-lhe que sabia sim, aliás sabia bem, que andava a passar lá todos os dias (não lhe disse porquê, mas só passei lá duas vezes e foi nas aulas de condução que eu ainda nem sequer conduzo, não é por ele, sempre me disse para eu tirar carta). Pormenorizei até, para ele não pensar que era tanga, que adiante poucos metros de casa dele, andavam em obras. Claro está que ele percebeu que eu estava mesmo a falar a sério, acreditando eu que tenha ficado a pensar com os seus botões como, porquê, com quem é que eu passava ali... Assim e de forma deveras ágil respondeu como quem diz, "Vês, sabes mesmo bem onde é, por isso anda ter comigo que chegou a tua vez de o fazer!"
O que é certo é que lhe neguei.
Não ficamos por ali, e continuamos a falar. Embora ele não goste de mensagens! Aproveitei para lhe dizer tudo o que queria e perguntar-lhe certas coisas que me deixavam inquieta, principalmente o facto dele ter deixado de falar durante aquele tempo e agora assim do nada responder. Já não sei o que me fazia mais confusão, se o tempo que se manteve calado se esta forma súbita de voltar a aparecer, respondendo.
O que é certo é que passou-se isto e ficou combinado que no dia sete de agosto ele me viria buscar para irmos tomar café. Fiquei a dormir na minha avó para ser mais perto para ele vir-me buscar. Ao final da tare ele disse que não podia, teria de ficar para o outro dia. Isso até me deu um certo alivio, porque, embora não lhe tenha confidenciado esta parte, não agradou muito à minha mãe que ficasse a dormir na minha avó naquele dia. Eu fiquei irritada com ela por causa disso. Aliás, amuei. E disse-lhe que se não fosse naquele dia seria no a seguir, e sem mais porquês.
Nessa noite que acabamos por não estar juntos, voltei a mandar-lhe mensagem. Queria saber como seria no dia a seguir, aliás, queria saber se sempre seria. Entretanto e disparatado a meio do que estávamos a combinar...
F.: Posso-te ir buscar agora a casa?
Sim, porque eu acabaria por vir dormir a minha casa. Não fiquei a dormir na minha avó. E enquanto a minha avó fica a cinco minutos da casa dele, a minha casa fica aí a uns vinte.
Mas claro que não dava para ele me ir buscar a casa.
Passou-se a oportunidade que existira naquele dia quando me disse que não ía poder. Mas combinamos e no dia a seguir por volta das vinte e uma e trinta ele estava à porta da minha avó (supostamente).
Atrasou-se um pouco e passados aí uns vinte minutos do combinado recebo uma mensagem.
F.: Estou no jipe!
Já sabia que estava portanto à minha porta, à minha espera. Lá saí. E o que mais gosto ao mesmo tempo que não gosto, é que enquanto percorria o trajeto de minha casa até ao jipe (não imaginem um caminho longo, porque não foram mais de vinte metros) senti tantas borboletas na barriga. Aqueles arrepios. As pernas a tremer. É isto. É sempre isto quando vou ter com ele. Fico nervosa e ansiosa. Passados cinco anos, sem nunca ter existido uma relação séria, eu continuo assim. É em muito por isso que também acredito tão arduamente neste sentimento que nutro por ele, numa lugar bem mais bonito e especial do que na razão.
Entrei e nem sei bem o que disse nem como disse, só sei que disse algo que me garantia uma resposta dele. O que eu queria era ouvi-lo. Ouvir a voz dele de novo, muito mais suave e fluente do que o que transmite por mensagens.
Seguimos, perguntei-lhe para onde íamos e ele disse-me que já ia ver. Fiquei calada. Olhei atentamente para adivinhar. Chegamos, deixei-o estacionar. Mal desligou o jipe, beijou-me! Eu ficaria perdida naquele beijo, para sempre. Sempre. E sempre. Ficaria, fico e ficarei.
Queria saber a toda a força o que era isto, e interroguei-o pela milésima quinta vez, o que era. Porque era. Se ia ser sempre assim.
F.: Por agora sim, estamos bem assim.
Enquanto fumava um cigarro ficou a olhar fixamente para mim, e eu fixamente para ele. Havíamos acabado de disparatar um com o outro. Fiquei chateada por ele me dizer que não iria ser o amor dele. Mas enquanto isso, coloquei a minha mão sobre a perna dele. E vim assim, até casa. Deixou-me à porta de casa, cheguei-me a ele, coloquei a mão no pescoço. Beijei-o e deixei que me beijasse. E assim ficou mais um retalho desta história. Que teima em não acabar, e que ao menos assim continue. Seguiu-se uma noite de sonhar acordada, se dormi uma ou duas horas, foi muito e não foi seguido. E afinal, isto é amor?

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